segunda-feira, 14 de junho de 2010

La sonrisa de la Mona Lisa - La primera clase



Nessa passagem algumas alunas interpretam, algumas obras de arte.

500 anos de mulheres na arte




O próprio nome já diz tudo a mulher como fonte de inspiração na vida de vários artistas.

Arte - Porque Arte




Uma pequena explicação sobre o que é a arte.

O que é arte 1



Uma explicação interessante sobre o que é arte.

Arte Pré-Histórica




É um pouco difícil de se ver(imaginar) a arte pré-história pois o que mais se fala e sobre os dinossauros aqui é uma visãol diferente.

sábado, 12 de junho de 2010

CRONOLOGIA DA ARTE




Esse é o resumo desse nosso blog. Pois tentei seguir a cronologia desse video. ok

domingo, 6 de junho de 2010

Auto Critica

Eu particularmente precisarei de mais tempo pois o assunto ao qual é origem desse blog, é extremamente vasto e super, mega interessante. Fui colocando os links dentro dos conteudos acredito que tenha mais de 10 mais as fotos e os videos vão complementar, apesar de que os links dentro dos conteudos não ficaram azulzinho é com o traço em baixo não consegui fazer isso. Bom tirando esse ponto ruim, o blog e extremanete interessante, com dicas, artes no brasil, e no exterior seus precursores aqui e no seu pais de origem.(tá certo que em algums não tem os seus precursores pois eles não deixaram registro).Resumindo tem que ler para saber então boa leitura.

Futurismo




O futurismo foi um movimento literário e artístico iniciado em 1909. Foi Felippo Marinetti, poeta italiano, quem começou este movimento com a publicação do Manifesto Futurista. Ele fez parte da primeira vanguarda futurista.
Características do Futurismo:

- Desvalorização da tradição e do moralismo;
- Valorização do desenvolvimento industrial e tecnológico;
- Propaganda como principal forma de comunicação;
- Uso de onomatopéias (palavras com sonoridade que imitam ruídos, vozes, sons de objetos) nas poesias;
- Poesias com uso de frases fragmentadas para passar a idéia de velocidade;
- Pinturas com uso de cores vivas e contrastes. Sobreposição de imagens, traços e pequenas deformações para passar a idéia de movimento e dinamismo;
Futurismo na Itália

Foi em território italiano que o futurismo ganhou grande notoriedade. O fascismo italiano teve grande influência neste movimento artístico na Itália.Os principais artistas plásticos futuristas italianos foram Luís Russolo, Umberto Boccioni e Carlo Carrá.

Futurismo na Rússia

O movimento futurista russo recebeu forte influência do socialismo, principalmente após a Revolução Russa de 1917. O grande expoente da poesia futurista russa foi o poeta Vladimir Maiakovski, que fez uma ligação entre a arte e o povo.

Futurismo no Brasil

No Brasil, o futurismo teve grande influência na produção artística de artistas ligados ao movimento modernista. Anitta Malfatti e Oswald de Andrade entraram em contato com Marinetti e seu Manifesta Futurista. Muitas idéias e conceitos futuristas foram incorporados às obras destes modernistas brasileiros. Pode-se observar estas influências na Semana de Arte Moderna de 1922.

Arte abstrata




A arte abstrata é um movimento artístico cujas obras possuem uma grande mistura de ideias, formando um carrossel holandês de imaginação. Com cores vivas, vibrantes e muita mistura, a arte abstrata conquistou o coração de muitos críticos, e hoje é considerada a arte do futuro e cada dia surgem mais artistas abstracionistas.
Embora muitas pessoas critiquem este tipo de arte, por acharem que as pinturas são um monte de riscos e sujeira, os críticos de artes elogiam a arte abstrata, por acharem que é um monte de riscos e sujeira.

Surgida há mais de 10000 anos atrás, a arte abstrata, conhecida também como Abstracionismo ou Elas estão descontroladas, é um movimento artístico que tem como principal característica a representação de muitas coisas em forma de salada de frutas, sopa de letrinhas, omelete ou strogonoff.

O abstracionismo é uma das formas de arte mais cultuadas atualmente, e com maior valor também. Existem obras da arte abstrata que valem milhões de dólares, como é o caso de A centopéia jantando com Adolf Hitler, criada pelo artista francês François Debruce. Criar obras abstratas não é fácil, e exigem perfeccionismo, criatividade e muito tempo disponível.

A arte abstrata não se resume apenas às pinturas. Esculturas, textos, música, cinema e outras formas artísticas também podem ser abstratas. Um exemplo disto é a música do artista Armandinho, que em suas letras totalmente abstratas consegue passar uma mensagem de abstratismo da abstratividade abstrativa.
A arte abstrata pode ser dividida em quatro fases: Mistura calma, mistureba, salada de repolho com chuchu e mistura misturada e batida no liquidificador. A mistura calma é o início da arte abstrata, quando o artista ainda não colocou toda a sua habilidade em retalhar ideias em sua obra. A mistureba é a mistura inicial um pouco mais abstratizada. Na terceira fase, a salada de repolho com chuchu, o autor já consegue transformar a ideia em um grande bolo de desenhos sem significado e na quarta fase, a mistura batida no liquidificador, o autor consegue colocar toda a ideia em um triturador e transformar em quadros, músicas ou qualquer outra coisa. Há ainda uma quinta fase, mas que não é considerada. Esta quinta fase é conhecida como arte lisérgica e só pode ser feita com o auxílio de alguns cogumelos noruegueses.
História da arte abstrata
Uma das primeiras criações abstratas, presente no parque australiano do Kakadu. Pintura do artista Tuga Uba, e representa o homem no combate contra as forças do mal.
Quando o homem ainda não era civilizado, ele já criava formas abstratas em suas cavernas. O homem já tinha a ideia de criar algo sem-noção e dar uma ideia por trás disto. O primeiro grande artista deste conceito, Tuga Uba, já criava grandes obras nas cavernas. Sua maior obra pode ser encontrada em uma caverna australiana no Kakadu. O nome da obra é desconhecida, mas sua beleza rara faz com que turistas do mundo todo façam excursões até o parque de Kakadu, para levarem uma lembrança fotográfica deste lugar.
Quando o homem tornou-se civilizado, a arte abstrata recebeu um toque mágico, onde alguns assuntos inexistentes (dragões, viagens ao desconhecido, Corinthians ganhando a Libertadores) foram transportados para as obras abstratas. A arte abstrata foi acompanhando o ritmo da evolução humana, e também teve sua evolução. Com a invenção da escrita, a arte abstrata foi também transformada em livros.
Na Idade Média, a arte abstrata foi proibida de ser feita pois a população achava que era obra do Demônio. Os artistas que eram pegos fazendo abstracionismo eram acusados de bruxaria e torturados. No ano 1300 houve uma grande caça aos artistas abstracionistas, e muitos artistos foram queimados. Esta caça à arte abstrata só teve fim no ano 1492, com a conquista do Paraíso. Após estes anos de sofrimento, os artistas abstracionistas puderam novamente criar suas obras, mas foram novamente acusados de bruxaria. Na América, no século XVI, os acusados de abstracionismo eram enforcados. Este genocídio abstracionista durou centenas de anos, até Dom Pedro I conseguir libertar os artistas.
O grande salto do abstracionismo foi em 1942, na Europa, quando um pintor chamado Adolf Hitler mostrou ao público sua arte abstrata. Este seria o divisor de águas do mundo abstrato. Vários artistas foram desabrochando depois disto. Foi nesta época que o Abstracionismo chegou ao Brasil e atualmente muitos artistas abstracionistas fazem sucesso.

Características do Abstracionismo.

A arte abstrata é a forma artística menos artística de todas, mas possui cores bem vivas. Muitas vezes as cores usadas são tão vivas que chegam a falar. As obras ganham uma vida também. Em alguns quadros abstracionistas, os riscos parecem lombrigas vivas. As obras abstracionistas devem ser bem abstratas, para que os admiradores possam entender coisa nenhuma. Esta é a caracteristica principal da arte abstrata - incompreensibilidade. Apesar disto, nem tudo que é difícil de entender é abstrato. As piadas do Zorra Total, por exemplo, apesar de ninguém entender, não chega a ser arte abstrata.
Para ser considerado abstrata, a obra deve ser bem abstrata. Isto é o básico. Para ser abstrata, a obra deve ser um emaranhado de cores e formas, mas com uma ideia por trás, o que também é básico. A obra pode ser bem riscada, mas deve ter uma ideia sagaz que envolva todos estes riscos. Além disso, não basta riscar, deve-se saber riscar. É preciso muita técnica para fazer rabiscos e melecas. Anos de treinamento são necessários para fazer a nobre arte do abstracionismo.

Surealismo



Nas duas primeiras décadas do século XX, os estudos psicanalíticos de Freud e as incertezas políticas criaram um clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. Surgem movimentos estéticos que interferem de maneira fantasiosa na realidade.
O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.
A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou historicamente o nascimento do movimento. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do
instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições.

A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja,
qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam
plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do
ser humano: o subconsciente.
O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. No entanto, se os dadaístas propunham apenas a destruição, os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova, a ser organizada em outras bases. Os surrealistas pretendiam, dessa forma, atingir uma outra realidade, situada no plano do subconsciente e do inconsciente. A fantasia, os estados de tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas, e nesse aspecto eles se aproximam dos românticos, embora sejam muito mais radicais.
Principais artistas
Salvador Dali - é, sem dúvida, o mais conhecido dos artistas surrealistas. Estudou em Barcelona e depois
em Madri, na Academia de San Fernando. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e Buñuel. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Giorgio De Chirico. Finalmente aderiu ao surrealismo, junto com seu amigo Luis Buñuel, cineasta. Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud, de grande importância ao longo de toda a sua
obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. O filme O Cão Andaluz, que
fez com Buñuel, data de 1929. Ele criou o conceito de “paranóia critica“ para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas .Segundo ele, é preciso “contribuir para o total descrédito da realidade”. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou seu ateliê em Roma, embora continuasse viajando. Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud, fez uma viagem para a América, onde publicou sua biografia A Vida Secreta de Salvador Dali (1942). Ao voltar, se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala, sua mulher, ex-mulher do poeta e amigo Paul Éluard. Desde 1970 até sua morte dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. Além da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis.
Joan Miró - iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja, em Barcelona. Em 1912 entrou para a escola de arte de Francisco Gali, onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas franceses. Nessa época, fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas, em cujo grupo militou durante algum tempo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse para Montroig), onde se formara um grupo de amigos pintores, entre os quais estavam Masson, Leiris, Artaud e Lial. Dois anos depois adquiriu forma La masía, obra fundamental em seu desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miró demonstrou uma grande precisão gráfica. A partir daí sua pintura mudou radicalmente. Breton falava dela como o máximo do surrealismo e se permitiu destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte. A famosa magia de Miró se manifesta nessas telas de traços nítidos e formas sinceras na aparência, mas difíceis de serem elucidadas, embora se apresentem de forma amistosa ao observador. Miró também se dedicou à cerâmica e à escultura, nas quais extravasou suas inquietações pictóricas.

Para seu conhecimento
“O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que lançou o movimento).
No mesmo manifesto, Breton define Surrealismo: "Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento".

Cubismo




Este movimento artístico tem seu surgimento no século XX e é considerado o mais influente deste período. Com suas formas geométricas representadas, na maioria das vezes, por cubos e cilindros, a arte cubista rompeu com os padrões estéticos que primavam pela perfeição das formas na busca da imagem realista da natureza. A imagem única e fiel à natureza, tão apreciada pelos europeus desde o Renascimento, deu lugar a esta nova forma de expressão onde um único objeto pode ser visto por diferentes ângulos ao mesmo tempo.

História movimento cubista:

O marco inicial do Cubismo ocorreu em Paris, em 1907, com a tela Les Demoiselles d''Avignon, pintura que Pablo Picasso levou um ano para finalizar. Nesta obra, este grande artista espanhol retratou a nudez feminina de uma forma inusitada, onde as formas reais, naturalmente arredondadas, deram espaço a figuras geométricas perfeitamente trabalhadas. Tanto nas obras de Picasso, quanto nas pinturas de outros artistas que seguiam esta nova tendência, como, por exemplo, o ex-fauvista francês – Georges Braque – há uma forte influência das esculturas africanas e também pelas últimas pinturas do pós-impressionista francês Paul Cézanne, que retratava a natureza através de formas bem próximas as geométricas.
Historicamente o Cubismo se dividiu em duas fases: Analítico, até 1912, onde a cor era moderada e as formas eram predominantemente geométricas e desestruturadas pelo desmembramento de suas partes equivalentes, ocorrendo, desta forma, a necessidade de não somente apreciar a obra, mas também de decifra-la, ou melhor, analisa-la para entender seu significado. Já no segundo período, a partir de 1912, surge a reação a este primeiro momento, o Cubismo Sintético, onde as cores eram mais fortes e as formas tentavam tornar as figuras novamente reconhecíveis através de colagens realizadas com letras e também com pequenas partes de jornal.
Na Europa está o maior número de artistas que se destacaram nesta manifestação artística, entre eles os mais conhecidos além dos precursores Pablo Picasso e Braque são: Albert Gleizes, Fernand Léger, Francis Picabia, Marcel Duchamp, Robert Delaunay, Roger de La Fresnaye, e Juan Gris.

CUBISMO NO BRASIL

Somente após a Semana de Arte Moderna de 1922 o movimento cubista ganhou terreno no Brasil. Mesmo assim, não encontramos artistas com características exclusivamente cubistas em nosso país. Muitos pintores brasileiros foram influenciados pelo movimento e apresentaram características do cubismo em suas obras. Neste sentido, podemos citar os seguintes artistas : Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti.

Expressionismo





O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores irreais, dá forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.
Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais. Corrente artística concentrada especialmente na Alemanhaentre 1905 e 1930.

Principais características:

* pesquisa no domínio psicológico;
* cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
* dinamismo improvisado, abrupto, inesperado;
* pasta grossa, martelada, áspera;
* técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões;
* preferência pelo patético, trágico e sombrio
OBSERVAÇÃO: Alguns historiadores determinam para esses pintores o movimento ”Pós Impressionista”. Os pintores não queriam destruir os efeitos impressionistas, mas queriam levá-los mais longe. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação.

Principais artistas:

Paul Gauguin (1848-1903) - Depois de passar a infância no Peru, Gauguin voltou com os pais para a França, mais precisamente para Orléans. Em 1887 entrou para a marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores. Aos 35 anos tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. Começou assim uma vida de viagens e boemia, que resultou numa produção artística singular e determinante das vanguardas do século XX. Sua obra, longe de poder ser enquadrada em algum movimento, foi tão singular como a de seus amigos Van Gogh ou Cézanne. Apesar disso, é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do grupo Navis, que, mais do que um conceito artístico, representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida. Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo, algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores, em oposição a qualquer naturalismo, como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. As cores se estendem planas e puras sobre a superfície, quase decorativamente.
No ano de 1891, o pintor parte para o Taiti, em busca de novos temas, para se libertar dos condicionamentos da Europa. Suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do lugar, e não faltam cenas que mostram um erotismo natural, fruto, segundo conhecidos do pintor, de sua paixão pelas nativas. A cor adquire mais preponderância representada pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas. Quando voltou a Paris, realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel, voltou ao Taiti, mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique. Obra Destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga.

Paul Cézanne (1839-1906) - sua principal tendência foi converter os elementos naturais em figuras geométricas - como cilindros, cones e esferas – que se acentuou cada vez mais, de tal forma que se tornaria impossível para ele recriar a realidade segundo “impressões” captadas pelos sentidos.
Na França de 1870, Cézanne era conhecido como um artista subversivo, de difícil temperamento, que quebrou com a visão estereotipada de que a obra de arte tinha de ser uma cópia da realidade.
Mais do que reproduzir, Cézanne se preocupava em interpretar as cenas ao seu redor, violando, literalmente, a realidade do objeto. A maioria dos seus quadros transmite uma emoção, por vezes, considerada intragável pelos críticos da época.
Colega dos principais artistas do movimento impressionista francês como Renoir, Monet e Degas, Cézanne diferenciava-se deles por sua técnica de construção rigorosa que mais tarde evoluiria para as formas geométricas. Sua grande aspiração, dizia, era “fazer do impressionismo algo sólido e durável como as artes dos museus”. A autonomia da arte, tão bem divulgada por ele, foi a premissa básica do Cubismo de Picasso e Braque que surgiria nos primeiros anos do século 20.
No começo da carreira artística ele chocou o público pintando temas sensuais, entre eles, “A Orgia” e a “Tentação de Santo Antão”, ambos pintados entre 1864 e 1868. Neste último o pintor destacava mulheres nuas com enormes nádegas As pessoas para ele eram tidas como objetos, da mesma forma que maçãs e laranjas. Retratar banhistas virou uma obsessão para o pintor. Irritava-se com freqüência com os seus modelos. “Por que você se mexe? Uma maça por acaso se mexe?", implicava.
Nos diversos artigos que escreveu para os jornais da época, criticava o sistema artístico estabelecido e enaltecia a arte dos pintores impressionistas, Zola chamava Cézanne de o maior colorista do grupo. “As telas tão fortes e tão vívidas podem até provocar risos nos burgueses, mas de qualquer forma indicam os elementos de um grande pintor”, disse ele num artigo de 1877, publicado num jornal de Marselha.
Não conseguindo entrar na Escola de Belas Artes e tendo vários dos seus quadros recusados no Grande Salão de Paris, Cézanne volta para Aix, onde se casa e tem um filho. Passa os últimos 30 anos de sua vida, morando em diferentes cidades do sul da França e indo eventualmente a Paris. Manteve, na década de 1880, pouco contato com os pintores, entre eles Pisarro e Paul Gachet, artista amador, que comprou várias de suas obras. Volta para Paris em 1874, por insistência de Pisarro, para a primeira mostra coletiva dos pintores impressionistas. As suas telas são as que mais despertam zombarias do público.
Tanto na “A Casa dos Enforcados” , como na “Moderna Olympia”, exibidas no Grande Salão, Cézanne já esboça a sua tendência às formas geométricas. Um exemplo do seu perfeccionismo pelas formas pode ser expresso pelos seus 60 quadros acerca do mesmo tema: o Monte Saint Victoire, próximo à Aix. Ele ficou quase 30 anos aprimorando a “geometria” da montanha em aquarelas de traços retos e vigorosos e ângulos quase perfeitos.
Em outubro de 1906, foi surpreendido por uma tempestade em Aix, enquanto pintava no campo. Afetado por uma congestão pulmonar, morreu uma semana depois.
Vicent Van Gogh (1853-1890) - empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza através da cor, que para ele era o elemento fundamental da pintura. Foi uma pessoa solitária. Interessou-se pelo trabalho de Gauguim, principalmente pela sua decisão de simplificar as formas dos seres, reduzir os efeitos de luz e usar zonas de cores bem definidas. Em 1888, deixou Paris e foi para Arles, cidade do sul da França, onde passou a pintar ao ar livre. O sol intenso da região mediterrânea interferiu em sua pintura, e ele libertou-se completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores, declarando-se um colorista arbitrário. Apaixonou-se então pelas cores intensas e puras, sem nenhuma matização, pois elas tinham para ele a função de representar emoções. Entretanto ele passou por várias crises nervosas e, depois de internações e tratamentos médicos, dirigiu-se, em maio de 1890, para Anvers, uma cidade tranqüila ao norte da França. Nessa época, em três meses apenas, pintou cerca de oitenta telas com cores fortes e retorcidas. Em julho do mesmo ano, ele suicidou-se, deixando uma obra plástica composta por 879 pinturas, 1756 desenhos e dez gravuras. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelo críticos, que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna, nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores. Obras Destacadas: Trigal com Corvos e Café à Noite.
Toulouse-Lautrec (1864-1901) - Pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris, e também foi responsável pelos cartazes das artistas que se apresentavam no Moulin Rouge. Boêmio, morreu jovem.
Obra Destacada: Ivette Guilbert que Saúda o Público.
Munch (1863-1944) - foi um dos primeiros artistas doséculo XX que conseguiu conceder às cores um valor simbólico e subjetivo, longe das representações realistas. Seus quadros exerceram grande influência nos artistas do grupo Die Brücke, que conheciam e admiravam sua obra. Nascido em Loten, Noruega, em 1863, Munch iniciou sua formação na cidade de Oslo, no ateliê do pintor Krogh. Realizou uma viagem a Paris, na qual conheceu Gauguin, Toulouse-Lautrec e Van Gogh. Em seu regresso, foi convidado a participar da exposição da Associação de Berlim. Numa segunda viagem a Paris, começou a se especializar em gravações e litografias, realizando trabalhos para a Ópera. Em pouco tempo pôde se apresentar no Salão dos Independentes. A partir de 1907, morou na Alemanha, onde, além de exposições, realizou cenários. Passou seus últimos anos em Oslo, na Noruega. Uma de suas obras mais importantes é O Grito (1889). O Grito é um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência. Nela a figura humana não apresenta sua linhas reais mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. As linhas sinuosas do céu e da água, e a linha diagonal da ponte, conduzem o olhar do observador para a boca da figura que se abre num grito perturbador. Perseguido pela tragédia familiar, Munch foi um artista determinado a criar "pessoas vivas, que respiram e sentem, sofrem e amam". Recusou o banal, as cenas interiores pacíficas, comuns na sua época. A dor e o trágico permeiam seus quadros.

Kirchner (1880-1938) - foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke. Influenciado pelo cubismo e fauvismo, o pintor alemão deu formas geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa por meio de contrastes agressivos, com o fim de manifestar sua verdadeira visão da realidade. Tendo concluído seus estudos de arquitetura na cidade de Dresden, Kirchner continuou sua formação na cidade de Munique.
Pouco tempo depois reuniu-se com os pintores Heckel e Schmidt-Rottluf em Berlim, com os quais, motivados pela leitura de Nietzsche, fundou o grupo Die Brücke (A Ponte, numa referência à frase do escritor: “...a ponte que conduz ao super-homem”). Veio então a época em que os pintores se reuniam numa casa de veraneio
em Moritzburg e se dedicavam apenas ao que mais lhes interessava: pintar. Dessa época são os quadros mais ousados de paisagens e nus, bem como cenas circenses e de variedades. Em 1914 Kirchner foi convocado para a guerra, e um ano depois tentou o suicídio. Quando suas mãos se recuperaram do ferimento, voltou a pintar ao ar livre, em sua casa ao pé dos Alpes. Quando finalmente sua contribuição para a arte alemã foi reconhecida, foi nomeado membro da academia de Berlim, em 1931, para seis anos mais tarde, durante o nazismo, ver sua obra ser destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura. Kirchner tentou mostrar em toda a sua produção pictórica uma realidade de pesadelo e decadência. Sensivelmente influenciado pelos desastres da guerra, seus quadros se transformaram num amontoado neurótico de cores contrastantes e agressivas, produto de uma profunda tristeza.No final de 1938 o pintor pôs fim à própria vida. Suas obras mais importantes estão dispersas pelos museus de arte moderna mais importantes da Alemanha.

Impressionismo





O impressionismo foi um movimento artístico (artes plásticas e música) que surgiu na França no final do século XIX. Este movimento é considerado o marco inicial da arte moderna. O nome “impressionismo” deriva de uma obra de Monet chamada Impressão, nascer do Sol (1872).
Características do impressionismo nas artes plásticas:

- Ênfase nos temas da natureza, principalmente de paisagens;
- Uso de técnicas de pintura que valorização a ação da luz natural;
- Valorização da decomposição das cores;
- Pinceladas soltas buscando os movimentos da cena retratada;
- Uso de efeitos de sombras coloridas e luminosas.

Características do impressionismo na música:

- Composições que buscam retratar imagens;
- Títulos de peças que remetem a paisagens naturais;
- Melodias sensuais e etéreas.

Principais artistas impressionistas e suas obras:

- Claude Monet : Estuário do Sena, Impressão, Nascer do Sol, Ponte sobre Hève na Vazante, Camille, O vestido verde, A floresta em Fontainebleu, Mulheres no Jardim, Navio deixando o cais de Le Havre, O molhe de Le Havre.

- Edgar Degas: Retrato da família Bellelli, Cavalos de Corrida numa Paisagem, Cavalos de Corrida, Retrato de duas meninas, Paisagem, A banheira, A primeira bailarina.

- Pierre-Auguste Renoir: Mulher com sombrinha, O Camarote, Le Moulin de la Galette , Madame Georges Charpentier e suas filhas, Remadores em Chatou, Elizabeth e Alice de Anvers, A dança em Bougival, Mulher amamentando, As grandes banhistas, Menina com espigas, Menina jogando criquet, Ao piano, Odalisca, Retrato de Claude Renoir, Banhista enxugando a perna direita.
- Édouard Manet: Os romanos, A decadência, O bebedor de absinto, Retrato do Sr. e Sra. Auguste Manet, O homem morto, A música na Tulheiras, Rapaz em costume espanhol, Almoço na relva, Olympia, A ninfa surpresa, A leitura, O tocador de pífano, A execução de Maximiliano, Retrato de Émile Zola, Berthe Morisot de Chapéu Preto

Principais músicos impressionistas e suas obras principais:

- Claude Debussy: Prelúdio à Tarde de um Fauno, Estampes, Trois Images, La Mer, Sonata para Piano e Violino.

- Maurice Ravel: Jeux d'Eau, Bolero, Concerto para Piano em Sol Maior, Quateto de Cordas em Fá Maior, Rapsódia Espanhola.

Realismo






Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias, sobretudo na pintura francesa, uma nova tendência estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade.

São características gerais:

* o cientificismo
* a valorização do objeto
* o sóbrio e o minucioso
* a expressão da realidade e dos aspectos descritivos

ARQUITETURA

Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas, criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas precisam de fábricas, estações, ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os operários quanto para a nova burguesia.
Em 1889, Gustavo Eiffel levanta, em Paris, a Torre Eiffel, hoje logotipo da "Cidade Luz".


ESCULTURA

Auguste Rodin - não se preocupou com a idealização da realidade. Ao contrário, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiam os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano.
Obras destacadas: Balzac, Os Burgueses de Calais, O Beijo e O Pensador.

PINTURA

Características da pintura:
* Representação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza, ou seja o pintor buscava representar o mundo de maneira documental;
* Ao artista não cabe "melhorar" artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual ela é; e.
* Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade.

Temas da pintura:

* Politização: a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injusta; a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos.
* Pintura social denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. As pessoas das classes menos favorecidas - o povo, em resumo - tornaram-se assunto freqüente da pintura realista. Os artistas incorporavam a rudeza, a fealdade, a vulgaridade dos tipos que pintavam, elevando esses tipos à categoria de heróis. Heróis que nada têm a ver com os idealizados heróis da pintura romântica.


Principais pintores:

Courbet - foi considerado o criador do realismo social na pintura, pois procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana, principalmente das classes populares. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade no século XIX.
Obra destacada: Moças Peneirando o Trigo.

Jean-François Millet, sensível observador da vida campestre, criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram, mais tarde, Pissarro e Van Gogh. É o caso, por exemplo, "Angelus".

Para seu conhecimento

Courbet dizia: "Sou democrata, republicano, socialista, realista, amigo da verdade e verdadeiro"
A palavra realismo designa uma maneira de agir, de interpretar a realidade. Esse comportamento caracteriza-se pela objetividade, por uma atitude racional das coisas pode ocorrer em qualquer tempo da história.
O termo Realismo significa um estilo de época que predominou na segunda metade do século XIX.
Do que os autores realistas mais gostavam (temáticas)?
Buscava-se, desta vez, a retratação fiel da realidade e a objetividade é marca consagrada em suas obras. Portanto, repudiam-se os temas de cunho fantástico, extraordinário ou sobrenatural.
O artista, além de documentar a realidade, pela primeira vez busca compreendê-la, acreditando que ao descobrir as causas de ações biopsíquicas e amvientais, o homem estaria no caminho certo para evitar seus efeitos degradantes.
O protagonista preferido é o homem comum e seus conflitos na sociedade, o que importa é o aqui e agora, não se resgata momentos passados ou exóticos como em outros períodos.
Quanto ao enredo, cabe destacar a minuciosa descrição das personagens em detrimento de suas ações, é assim que o autor busca compreender os conflitos.
A linguagem utilizada é livre de arcaísmos e extremamente simples e direta, respeitando as normais gramaticais, mas sem uso de figuras de linguagem obscuras.
Nos gêneros literários não há inovações, o romance e o conto prevalecem.

A crítica sociológica está presente na maioria das obras, abordam-se temas como o preconceito, a intolerância e a exploração. Instituições como a Igreja Católica e a burguesia eram alvos comuns dos autores realistas.
Quais os principais autores do Realismo?
Entre os quais se destacam Fiódor Dostoiévsky, Leon Tolstói, Charles Dickens, Nikolay Gogol e Eça de Queiróz.
Quais os livros mais legais?
A obra que marca o início do Realismo na literatura é Madame de Bovary de Gustave Flaubert, já no Brasil o grande marco é a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

Romantismo


O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII que foram a Revolução Industrial que gerou novos inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção, provocando a divisão do trabalho e o início da especialização da mão-de-obra, e pela Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica, em que os direitos individuais fossem respeitados, traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Do mesmo modo, a atividade artística tornou-se complexa.

Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista.
Características gerais:
* a valorização dos sentimentos e da imaginação;
* o nacionalismo;
* a valorização da natureza como princípios da criação artística; e
* os sentimentos do presente tais como: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

ARQUITETURA E ESCULTURA
A escultura e a arquitetura registram pouca novidade. Observa-se, grosso modo, a permanência do estilo anterior, o neoclássico. Vez por outra retomou-se o estilo gótico da época medieval, gerando o neogótico.
Obra Destacada: Edifício do Parlamento Inglês

PINTURA
Características da pintura:
* Aproximação das formas barrocas;
* Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador;
* Valorização das cores e do claro-escuro; e
* Dramaticidade

Temas da pintura:
* Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas;
* Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas; e
* Mitologia Grega

Principais artistas:
Goya - Nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos, Espanha, em 1746. Morreu em Bordeaux, em 1828. Goya e sua mitologia povoada por sonhos e pesadelos, seres deformados, tons opressivos. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. Trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, os horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas históricas e as lutas pela liberdade.
Obra destacada: Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808.
Turner - representou grandes movimentos da natureza, mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete, procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva).
Obras destacadas: Chuva, Vapor e Velocidade e O Grande Canal, Veneza.
Para seu conhecimento:
A palavra romantismo designa uma maneira de se comportar, de agir, de interpretar a realidade. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho, por uma atitude emotiva diante das coisas e esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história.
Romantismo designa uma tendência geral da vida e da arte; portanto, nomeia um sistema, um estilo delimitado no tempo.

Arte nova









Em oposição às formas clássicas, a arte moderna surgiu no final do século passado em forma de pintura e escultura.
Os impressionistas, primeiros pintores modernos, geralmente escolhiam cenas de exteriores como temas para suas obras: paisagens, pessoas humildes, etc.
Características da Arte Moderna
Objetivando romper com os padrões antigos, os artistas modernos buscam constantemente novas formas de expressão e, para isto, utilizam recursos como cores vivas, figuras deformadas, cubos e cenas sem lógica.O marco inicial do movimento modernista brasileiro foi a realização da Semana de Arte Moderna de 1922, onde diversos artistas plásticos e escritores apresentaram ao público uma nova forma de expressão. Este evento ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo.
Não foi fácil para estes artistas serem aceitos pela crítica que já estava acostumada com padrões estéticos bem definidos, mas, aos poucos, suas exposições foram aumentando e o público passou a aceitar e entender as obras modernistas.
A arte moderna está exposta em muitos lugares, em São Paulo ela pode ser vista no Museu de Arte Moderna, nas Bienais e também em outras formas de exposições que buscam estimular esta forma de expressão.
Artistas
Destacam-se como artistas modernistas: Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsilla do Amaral e Ismael Nery.
Semana de Arte Moderna de 1922
Acontecimentos, artistas e escritores envolvidos, idéias do movimento artístico, mudanças de rumo na literatura e arte, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Manuel Bandeira, modernismo, revistas Klaxon e Antropofágica.
A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, tendo como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa. Esta nova forma de expressão não foi compreendida pela elite paulista, que era influenciada pelas formas estéticas européias mais conservadoras. O idealizador deste evento artístico e cultural foi o pintor Di Cavalcanti.
Participações e como foi
Em um período repleto de agitações, os intelectuais brasileiros se viram em um momento em que precisavam abandonar os valores estéticos antigos, ainda muito apreciados em nosso país, para dar lugar a um novo estilo completamente contrário, e do qual, não se sabia ao certo o rumo a ser seguido.
No Brasil, o descontentamento com o estilo anterior foi bem mais explorado no campo da literatura, com maior ênfase na poesia. Entre os escritores modernistas destacam-se: Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura, destacou-se Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época. Monteiro Lobato não poupou críticas à pintora, contudo, este episódio serviu como incentivo para a realização da Semana de Arte Moderna.
A Semana, na verdade, foi a explosão de idéias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX. Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela platéia através de muitas vaias e gritos.
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas idéias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.
Todo novo movimento artístico é uma ruptura com os padrões utilizados pelo anterior, isto vale para todas as formas de expressões, sejam elas através da pintura, literatura, escultura, poesia, etc. Ocorre que nem sempre o novo é bem aceito, isto foi bastante evidente no caso do Modernismo, que, a principio, chocou por fugir completamente da estética européia tradicional que influenciava os artistas brasileiros.

Neoclassicismo
Neoclassicismo é um movimento artístico que se desenvolveu especialmente na arquitetura e nas artes decorativas. Floresceu na França e na Inglaterra, por volta de 1750, sob a influência do arquiteto Palladio (palladianismo), e estendeu-se para o resto dos países europeus, chegando ao apogeu em 1830. Inspirado nas formas greco-romanas, renunciou às formas do barroco (que não tinha tido grande repercussão na França e na Inglaterra) revivendo os princípios estéticos da antiguidade clássica.
Entre as mudanças filosóficas, ocorridas com o iluminismo, e as sociais, com a revolução francesa, a arte deveria tornar-se eco dos novos ideais da época: subjetivismo, liberalismo, ateísmo e democracia. No entanto, eram tantas as mudanças que elas ainda não haviam sido suficientemente assimiladas pelos homens da época a ponto de gerar um novo estilo artístico que representasse esses valores. O melhor seria recorrer ao que estivesse mais à mão: a equilibrada e democrática antiguidade clássica. E foi assim que, com a ajuda da arqueologia (Pompéia tinha sido descoberta em 1748), arquitetos, pintores e escultores logo encontraram um modelo a seguir.
Mais do que um ressurgimento de estética antiga, o Neoclassicismo relaciona fatos do passado aos acontecimentos da época. Os artistas neoclássicos tentaram substituir a sensualidade e trivialidade do Rococó por um estilo lógico, de tom solene e austero. Quando os movimentos revolucionários estabeleceram repúblicas na França e América do Norte, os novos governos adotaram o neoclassicismo como estilo oficial por relacionarem a democracia com a antiga Grécia e República Romana.
Surgiram os primeiros edifícios em forma de templos gregos, as estátuas alegóricas e as pinturas de temas históricos. As encomendas já não vinham do clero e da nobreza, mas da alta burguesia, mecenas incondicionais da nova estética. A imagem das cidades mudou completamente. Derrubaram-se edifícios e largas avenidas foram traçadas de acordo com as formas monumentais da arquitetura renovada, ainda existentes nas mais importantes capitais da Europa.
A Igreja de Madeleine, de Vignon, é uma amostra inconstestável do retorno da arquitetura clássica que se verificou durante a época napoleônica. São edifícios grandiosos de estética totalmente racionalista: pórticos de colunas colossais com frontispícios triangulares, pilastras despojadas de capitéis e uma decoração apenas insinuada em guirlandas ou rosetas e frisos de meandros.
Surgido para dar sustentação à revolução francesa e depois ao império, o neoclassicismo, no entanto, se apóia principalmente nos países da aliança contra Napoleão, como a Alemanha e a Inglaterra. Durante este período, as cidades foram invadidas por edificações colossais, como o célebre Arco do Triunfo, em Paris, construído em homenagem às vitórias de Napoleão. Nele evitou-se ao máximo recorrer aos ornamentos romanos, como as colunas clássicas.

Época rococó






O rococó é um estilo que desenvolveu-se no sul da Alemanha e Áustria e principalmente na França, a partir de 1715, após a morte de Luís XIV. Também conhecido como "estilo regência", reflete o comportamento da elite francesa de Paris e Versailles, empenhada em traduzir o fausto e a agradabilidade da vida. O nome vem do francês rocaille (concha), um dos elementos decorativos mais característicos desse estilo, não somente da arquitetura, mas também de toda manifestação ornamental e de adereços. O estilo conheceu grande desenvolvimento entre 1715 e 1730, a regência de Felipe de Orleans.
Existe uma alegria na decoração carregada, na teatralidade, na refinada artificialidade dos detalhes, mas sem a dramaticidade pesada nem a religiosidade do barroco. Tenta-se, pelo exagero, se comemorar a alegria de viver, um espírito que se reflete inclusive nas obras sacras, em que o amor de Deus pelo homem assume agora a forma de uma infinidade de anjinhos rechonchudos. Tudo é mais leve, como a despreocupada vida nas grandes
cortes de Paris ou Viena.
ARQUITETURA
A arquitetura rococó é marcada pela sensibilidade, percebida na distribuição dos ambientes interiores, destinados a valorizar um modo de vida individual e caprichoso. Essa manifestação adquiriu importância principalmente no sul da Alemanha e na França. Suas principais características são uma exagerada tendência para a decoração carregada, tanto nas fachadas quanto nos interiores. As cúpulas das igrejas, menores que as das barrocas, multiplicam-se. As paredes ficam mais claras, com tons pastel e o branco. Guarnições douradas de ramos e flores, povoadas de anjinhos, contornam janelas ovais, servindo para quebrar a rigidez das paredes.
O mesmo acontecia com a arquitetura palaciana. A expressão máxima dessa tendência são os pequenos pavilhões e abrigos de caça dos jardins. Construídas para o lazer dos membros da corte, essas edificações, decoradas com molduras em forma de argolas e folhas transmitiam uma atmosfera de mundo ideal. Para completar essa imagem dissimulada, surgiam no teto, imitando o céu, cenas bucólicas em tons pastel. Na metade do século, o "estilo Pompadour" já constituiu uma variante do rococó: curvas e contra curvas animam as paredes e os ritmos decorativos, afirma-se a assimetria, a trama linear invade tudo. As Vilas construídas para a favorita de Luís XV sugerem a evolução de um gosto que se desenvolve com pequenas oscilações.
Os móveis, importantíssimo complemento da construção arquitetônica, assumem uma transcendência particular. De um lado isto decorre da exigência, de determinados arranjos. De outro lado a variedade cromática, devido ao emprego de madeiras raras marchetadas, ornadas de frisos dourados, é acompanhada pelo requinte de suas linhas. Acompanha tudo isso o gosto pelos bibelôs.

ESCULTURA
Devido ao grande desenvolvimento decorativo, a escultura ganha importância. Os escultores do rococó abandonam totalmente as linhas do barroco. Suas esculturas são de tamanho menor. Embora usem o mármore, preferem o gesso e a madeira, que aceitam cores suaves. Os motivos são escolhidos em função da decoração. Até artistas famosos, principalmente aqueles ligados a manufatura de Sèvres se apressam a preparar para ela, desenhos e modelos. Em função de lembrança, do souvenir, os pequemos grupos representam cenas de gênero e narram, com linguagem espontânea e cores luminosas, episódios galantes, brincadeiras e jogos infantis.
Nas igrejas da Baviera surge o teatro sacro. Altares com iluminação a partir do fundo, decorados com cenários carregados de anjos, folhas e flores, são a referência ideal para cenas religiosas de uma inegável atmosfera de ópera.
Deve-se destacar também que é nessa época que surge com um vigor inusitado a indústria da escultura de porcelana na Europa, material trazido do Extremo Oriente, na esteira do exotismo tão em voga nessa época. Esse delicado material era ideal para a época, e imediatamente surgiram oficinas magistrais nessa técnica, em cidades da Itália, França, Dinamarca e Alemanha.

PINTURA
A pintura rococó deixa de lado os afrescos a fim de dar lugar aos arrases que pendem macios das paredes e torna íntimo e discretos os ambientes; aproveita os recursos do barroco, liberando-os de sua pesada dramaticidade por meio da leveza do traço e da suavidade da cor. Agora o quadro tem pequenas dimensões, passando a ser colocado nas entreportas ou ao lado das janelas, onde antes eram colocados os espelhos. Por vezes os quadros têm um lugar reservado: são os cabinets de pintura, onde se reúnem os entendedores para apreciar as obras.
O homem do rococó é um cortesão, amante da boa vida e da natureza. Vive na pompa do palácio, passa o dia em seus jardins e se faz retratar tanto luxuosamente trajado nos salões de espelhos e mármores quanto em meio a primorosas paisagens bucólicas, vestido de pastorzinho.
As cores preferidas são as claras. Desaparecem os intensos vermelhos e turquesa do barroco, e a tela se enche de azuis, amarelos pálidos, verdes e rosa. As pinceladas são rápidas e suaves, movediças. A elegância se sobrepõe ao realismo. As texturas se aperfeiçoam, bem como os brilhos.
Existe uma obsessão muito particular pelas sedas e rendas que envolvem as figuras. Os retratos de Nattier e as cenas galantes de Fragonard são as obras mais representativas desse estilo.
O material preferido para obter o efeito aveludado das sedas e dos brocados, a transparência das gazes e o esfumado das perucas brancas são os tons pastel. Esses pigmentos de cores diferentes, prensados na forma de pequenos bastões, ao serem aplicados sobre uma superfície rugosa vão se desfazendo e é preciso fixá-los com um líquido especial. Sem sombra de dúvida, é nesse período que a técnica do pastel atinge seu ponto máximo de excelência.


Período histórico e estilo originados na França, após a morte de Luís XIV, em 1715, que findam com a Revolução Francesa, em 1789, e que são subdivididos em três fases:Regência, Luis XV ou Mme. Pompadour e Luis XVI ou Maria Antonieta (Em Portugal, o estilo se desenvolve após a morte de D.João V, Em 1750, e no Brasil, especialmente no eixo Rio-Minas, as obras datam dos últimos anos do século XVIII e primeiros do século XIX.)

Época barroca








A origem da palavra barroco tem causado muitas discussões. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. Assim, como termo técnico, estabeleceria, desde seu início, uma comparação fundamental para a arte: em oposição à disciplina das obras do Renascimento, caracterizaria as produções de uma época na qual os trabalhos artísticos mais diversos se apresentariam de maneira livre e até mesmo sob formas anárquicas, de grande imperfeição e mal gosto.(Suzy Mello, Barroco. São Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)
No início do século XVII, o Classicismo já estava perdendo a força. Depois de dominar por um século o palco da literatura ocidental, o Classicismo esgotou as renovações trazidos do Renascimento e pouco a pouco foi deixando de ser centro dos acontecimentos culturais. Surgiu, então, o Barroco.
O barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da sociedade européia. O homem do século XVII era um homem dividido entre duas mentalidades, duas formas de ver o mundo. O Barroco é fruto da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do século XVII era um ser contraditório, tanto que ele se expressou usando a arte.
Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano. O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana.
No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico prosopopéia, a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós, da autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira. O final do Barroco brasileiro só concretizou em 1768, com a publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa . No entanto, como o Barroco no Brasil só foi mesmo reconhecido e praticado em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas várias academias literárias, desenvolveu-se uma espécie de Barroco tardio nas artes plásticas, o que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante o século XVIII.
O Barroco no Brasil foi um estilo literário que durou do século XVII ao começo do século XVIII, marcado pelo uso de antíteses e paradoxos que expressavam a visão do mudo barroco numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo.
Momento Histórico
Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. Com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578 D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Felipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica.
A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito de Sebastianismo (crença segundo qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.
A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton.
Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero – introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.
O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.
Características
Algumas características da linguagem barroca merecem especial atenção pela sua peculiaridade e pelo uso que sendo feito de algumas delas em escolas posteriores.
• Arte da Contra-Reforma: a ideologia do Barroco é fornecida pela Contra-Reforma. A arte deve ter como objetivo a fém católica.
• Conflito espiritual: O homem barroco sente-se dilacerado e angustiado diante da alteração dos valores, dividindo-se entre o mundo espiritual e o mundo material. As figuras que melhor expressam esse estado de alma são a antítese e o paradoxo;
"Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
......................................................................
Começa o Mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância."

(Gregório de Matos)

O tema da fugacidade do tempo, da incerteza da vida, é desenvolvido por meio de um jogo de imagens e idéias que se contrapõem, num sistema de oposições: nasce x não dura; luz x noite escura; tristes sombras x formosura; acaba x nascia.
O espírito Barroco é cabalmente expresso no célebre dilema do 3º ato de Hamlet, de Shakespeare: "To be or not to be, that is the question". ("Ser ou não ser, eis a questão...")
• Temas contraditórios: Há o gosto pela confrontação violenta de temas opostos;
• Efemeridade do tempo e carpe diem: O homem barroco tem consciência de que a vida terrena é efêmera, passageira, e por isso, é preciso pensar na salvação espiritual. Mas já que a vida é passageira, sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que acabe, o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar a vida implica pecar, e se há pecado, não há salvação.
"...Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido, o que é verdura..."
"Lembra-te Deus, que és pós para humilha-te,
E como o teu baixel sempre fraqueja,
Nos mares da vaidade, onde peleja,
Te põe a vista a terra, onde salvar-te..."

Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo.
• Cultismo: é caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido como Gongorismo.
O aspecto exterior imediatamente visível no Cultismo ou Gongorismo é o abuso no emprego de figuras de linguagem como as metáforas, antítese, hipérboles, hipérbatos, anáforas, paronomásias, etc...
"O todo sem a parte não é o todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo."
(Gregório de Matos)

• Conceptismo: é marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais cultores do conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo. Os Conceptistas pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando saber o que são, visando à apreensão da face oculta, apenas acessível ao pensamento, ou seja, ao conceitos; assim a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, onde reinavam a exuberância e o exagero. Assim, é usual a presença de elementos da lógica formal, como:
A – O SILOGISMO: Dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicada, chamada conclusão. Assim, temos como exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior); ora, eu sou homem (premissa menor); logo, eu sou mortal (conclusão).
Observe a construção dos tercetos finais de um soneto sacro de Gregório de Matos que, referindo-se ao amor de Cristo diz:
"Mui grande é o vosso amor e o meu delito;
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito.
Essa razão me obriga a confiar
Que, por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar."
Estes versos encobrem a formulação silogística, como segue:
• Premissa maior: O amor infinito de Cristo salva o pecador.
• Premissa menor: Eu sou um pecador.
• Conclusão: Logo, eu espero salvar-me.
B – O SOFISMA: É o argumento que parte de premissas verdadeiras e que chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante de regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. É um raciocínio falso, elaborado com a função de enganar.
Ex.: Muitas nações são capazes de governarem-se por si mesmas; as nações capazes de governarem-se por si mesma não devem submeter-se às leis de um governo despótico. Logo, nenhuma nação deve submeter-se às leis de um governo despótico.
Cultismo e Conceptismo são dois aspectos do Barroco que não se separam; antes, superpõem-se como as duas faces de uma mesma moeda. Às vezes, o autor trabalha ao nível de palavra, da imagem; busca mais argumento, o conceito. Nada impede que o mesmo texto tenha, simultaneamente, aspectos Cultistas e Conceptistas. Com os riscos inerentes às generalizações abusivas, diz-se, didaticamente, que o Cultismo é predominante na poesia e o Conceptismo, predominante na prosa.
Barroco – As Origens da Cultura Brasileira
O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco. É contemporâneo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período subseqüentes, até os nossos dias.
O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.
Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:
• A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no período;
• Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino);
• Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545 a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;
• Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;
• O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou "provar" as verdades dogmáticas da Igreja. Não havia estímulo ao espírito crítico, nem a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal. Nasceu daí o gosto, ainda vigente entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais recentes do estilo Barroco.
Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:
• INÍCIO: 1601 – com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós.
• TÉRMINO: 1768 – com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL DA COSTA,
Representantes
• Padre Antônio Vieira
Vieira nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a Companhia de Jesus. Quando Portugal se liberta da Espanha (1640), retorna à terra natal, saudando o rei D. João IV, de quem se tornaria confessor. Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes, por defender um monopólio comercial; os administradores e colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.
Podemos dividir sua obra em:
Profecias – constam de três obras: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis prophetarum, em que se notam Sebastianismo e as esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato estaria escrito na Bíblia.
Cartas – são cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.
Sermões – são quase 200 sermões. De estilo barroco conceptista o pregador português joga com asa idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de Lisboa em 1655.
"... Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregdores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte está branco, da outra há de estar negro; se de um parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta, que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário? ..."
(Fragmento do Sermão da Sexagésima do Padre Antônio Vieira)
Dentre sua obras mais conhecidas, destacam-se ainda: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e o Sermão de Santo Antônio.
• Padre Manuel Bernades
Orador sacro português. Nasceu em 1644. Um dos maiores clássicos da língua. Obras: Luz e Calor, Nova Floresta etc. Morreu em 1710.
• Gregório de Matos
O escritor Gregório de Matos Guerra, nascido na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de 1633, Gregório de Matos firma-se como o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio de Jesuítas, vai para Coimbra, onde se gradua em Direito. Formado, vive alguns anos em Lisboa exercendo a profissão; por sua sátiras, é obrigado a retornar à Bahia. Em sua terra natal, é convidado a trabalhar com o jesuítas no cargo de tesoureiro-mor da Companhia de Jesus. Ainda por sua sátiras, abandona os padres e é degredado para Angola; já bastante doente volta ao Brasil, mas sob duas condições: estava proibido de pisar em terras baianas e de apresentar sua sátiras. Morreu em Recife, no ano de 1696.
Apesar de ser conhecido como poeta satírico – daí o apelido "Boca do Inferno" –, Gregório também praticou, e com esmero, a poesia religiosa e a lírica. Cultivou tanto o estilo cultista como o conceptista, apresentando jogo de palavras ao lado de raciocínios sutis, sempre como o uso abusivo de linguagem.
Sua obra permaneceu inédita até o século XX, quando a Academia Brasileira de Letras, entre 1923 e 1933, publicou seis volumes, assim distribuídos: I. Poesia sacra; II. Poesia lírica; III. Poesia graciosa; IV e V. Poesia satírica; e VI. Últimas.
- Poeta religioso: Gregório coloca-se dinate de Deus, como um pecador, pedindo perdão por seus erros e confiante na misericórdia divina.
"Eu sou, Senhor, Ovelha desgarrada;
cobrais: e não queiras, Pastor Divino,
perder na nossa ovelha a vossa glória."
- Poeta satírico: criticava os letrados, os políticos, a corrupção, o relaxamento dos costumes, a cidade da Bahia, ...
"Que os brasileiros são Bestas,
e estão sempre a trabalhar
toda a vida, por manter
Maganos de Portugal."
- Poeta lírico: seu lirismo amoroso se define pelo erotismo, revelando uma sensualidade ora grosseira, ora de rara fineza. Gregório de Matos foi o primeiro poeta que admirou e glorificou a mulata:
"Minha rica mulatinha
Desvelo e cuidado meu."

• Bento Teixeira Pinto (1565 – 1600)
É autor de Prosopopéia, poema épico em decassílabos, dispostos em oitava rima, publicado em 1601. Apesar da deficiência, o texto é visto por alguns críticos como iniciador do Barroco no Brasil. Durante muito tempo pensou-se que fosse natural de Recife, cidade descrita no poema, que narra um naufrágio sofrido por Jorge Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco. Hoje se admite que teria nascido em Portugal, embora tivesse morado a maior parte da vida no Recife.
• Botelho de Oliveira
O primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado, Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) nasceu em uma família afastada de Salvador e estudou Direito em Coimbra. Foi vereador, advogado e agiota. Escreveu Música do Parnaso, o primeiro livro impresso de autor nascido no Brasil. A sua fama perdurou como autor do poemeto (silva) A Ilha da Maré, apontando como precursor do nativismo pitoresco.
Links:
Gregório de Matos: Site dedicado ao poeta Gregório de Matos, com biografia e variedade de textos eletrônicos, entre eles muitos sonetos. http://www.e-netcom.br/seges/grego.html
Lista de Autores do Repositório de Literatura: Espécie de biblioteca dedicada à Literatura em português, oferece links para páginas dos mais diversos autores, incluindo biografias e textos eletrônicos. Entre eles, Tomás Gonzaga e Claúdio Manuel da Costa. http://www.cr-sp.rnp.br/literatura/autores.html
O Barroco: O Barroco foi o primeiro estilo de época da literatura brasileira: Gregório de Matos, Pe Antônio Vieira e o homem do Seiscentismo são estudados neste site. http://www.geocities.com/Athens/Forum/7567/lite0005.htm
De Vila Rica a Ouro Preto: Site dedicado à cidade de Ouro Preto, onde se encontra o maior e mais bonito acervo de barroco brasileiro. http://degeo.ufop.br/op/vila.htm

Época classica




Atribui-se a designação de época clássica a este período literário pois tem como referências estéticas e culturais a cultura clássica greco-romana e adopta as formas e géneros do Renascimento italiano. Nestes cerca de 3 séculos incluem-se vários movimentos estéticos: o classicismo, o maneirismo, o barroco e o neoclassicismo.
Durante o período do Renascimento assistiu-se a uma série de importantes progressos técnicos e científicos. O homem tornava-se centro de interesses cada vez mais alargados, pelo que se procuravam na cultura antiga respostas às novas questões surgidas. Por isso se atribui a designação de Renascimento a este movimento pois, para este novo espírito, a Idade Média surgia como um período de trevas e de esquecimento dos grandes valores do classicismo greco-latino.
Em 1445-1463 o mundo católico foi abalado pelo Concílio de Trento, que consumou a separação das duas igrejas, católica e protestante. Com a Contra – Reforma, instaurou-se em Portugal a Inquisição, em 1536, órgão cujas funções eram punir os crimes contra a fé cristã e censurar todas as obras editadas.
Ao longo do séc. XVI o sentimento de optimismo e de confiança nas capacidades humanas foi seriamente abalado. Gerou-se um clima de instabilidade e pessimismo, que se reflectiu numa ruptura com os cânones estéticos do Classicismo, ruptura que caracteriza o Maneirismo.
O Barroco está ligado ao desenvolvimento das cortes absolutistas europeias. A arte barroca é reflexo da grandiosidade da vida da corte.
Os ideais de tolerância, de liberdade chegavam a um público cada vez mais alargado: existia uma exigência de racionalismo que se estendia também às artes. A subida ao poder do marquês de Pombal proporcionou sérias transformações: travou o poder da Inquisição e expulsou os jesuítas que dominavam o ensino.
Este período marca a passagem do escritor de um regime de mecenato (dependente da coroa, de um senhor nobre) para o do seu estabelecimento autónomo, para a profissionalização do ofício de escritor.
A literatura neoclássica – de recuperação de certos valores do classicismo – representa uma evolução no sentido do aburguesamento da literatura.

Arte Quinhentista





A arte quinhentista corresponde à arte do século XVI (1501 a 1600). É durante esse período que temos, na Itália, a Alta Renascença, a escola de Veneza e o maneirismo.

O auge do renascimento produziu gênios como Leonardo da Vinci, Michelângelo e Rafael. Em outros países do continente a renascença ganha força e espalha-se. Temos então Dürer, Bruegel, El Greco, entre outros. A literatura também teve grande importância na arte quinhentista. Em alguns países em que as artes plásticas não tiveram desempenho compatível à Italiana, é através dela que o renascimento encontra sua maior manifestação. É o caso, por exemplo, da Inglaterra de William Shakespeare, considerado um dos maiores dramaturgos da humanidade. Imortaliza-se com obras como, "Macbeth", "Hamlet", "Ricardo II", "Henrique V", "Romeu e Julieta", entre outras. Utiliza-se das medidas poéticas italianas e da adaptação do soneto a seu idioma. O humanismo, bastante fortalecido e com penetração em toda a Europa, é um dos fatores do notável desenvolvimento artístico. Expressa um homem que, ao contrário da Idade Média, em que a figura divina era a central em seu mundo (teocentrismo), torna-se o próprio centro (antropocentrismo), fortalecendo a razão sobre a fé. A ambição dos intelectuais humanistas, numa época em que a ciência ainda não tinha delimitado as áreas do saber, era a de dominarem os mais amplos níveis de conhecimento humano. Além do humanismo, outros fatores encorajavam e forneciam um terreno propício para o apogeu artístico atingido: o desenvolvimento da ciência, em especial a matemática (aperfeiçoando as noções de perspectiva) e a anatomia (estudada por grandes escultores do período para a confecção de suas obras); a disputa entre as cidades (italianas) na tentativa de mostrarem-se mais ricas e mais belas que as demais, via ostentação de grandes obras de arte; e a própria condição do artista que passa a ser visto de uma forma diferente, ganha status e liberdade - de apenas um artífice torna-se alguém que assina suas obras, conferindo prestígio às mesmas e escolhendo as encomendas que gostariam de realizar. Entretanto, apesar das condições descritas acima (que não "nasceram" nesse século, mas encontravam-se bastante desenvolvidas então) e o apogeu da arte renascentista no cinquecento, é ainda no século XVI que assistimos os primeiros sinais de decadência da Itália renascentista. As inúmeras invasões sofridas pelo país, aliadas à ascensão de Portugal e Espanha (que iniciavam o ciclo das grandes navegações) e a Contra- Reforma, que termina com a relativa liberdade do artista perante à Igreja, são apontadas como alguns dos fatores dessa decadência. Aparecem as primeiras manifestações do maneirismo, um estilo artístico que faz a transição entre a alta renascença e o barroco. Apesar de possuir características renascentistas, é uma nova forma de arte, que sobrepõe o estilo à forma e antecipa, sob alguns aspectos, o barroco. Nesse período temos ainda a chamada "Escola de Veneza", que começou a manifestar-se no século XV, chegando ao século XVI. Veneza, em constante contato com a cultura bizantina e com o norte da Europa, desenvolve uma arte própria, fora dos centros italianos renascentistas, que exerceu grande influência sobre muitos artistas europeus. Houve uma certa demora de Veneza na aceitação dos ideais renascentistas do restante da Itália, mas quando o fez, pode-se dizer que o estilo adquiriu um novo esplendor e vivacidade. A extrema valorização das cores, o uso da luz e dos espaços entre as figuras, são algumas das características que diferenciam a pintura veneziana de suas contemporâneas, (como as de seu próprio país). Outra característica temática forte da escola veneziana são as poesias gregas antigas e o desafio da transposição de seu simbolismo para as artes plásticas. Na arquitetura, a Biblioteca de São Marcos, do arquiteto Jacopo Sansovino, (1486 - 1573) é um ótimo exemplo da arte quinhentista veneziana, que apresenta grande proximidade aos edifícios do período helenístico. Giovanni Bellini (1430 - 1516), mestre da pintura veneciana, influenciou artistas como Giorgione e Ticiano no uso da cor e da luz para unificar as obras. Giorgione (1478 - 1510), seguindo a orientação do mestre, atinge resultados surpreendentes, como exemplifica "A Tempestade", harmonioso pela luz e ar que o impregnam. Ticiano (1488 - 1576), o mais famoso nome dessa escola, divide notoriedade com os grandes gênios da alta renascença em Roma, como Michelângelo. Ignorou as regras de composição de seu tempo, confiando na cor, como seus antecessores, para conferir unidade à obra. Em "Nossa Senhora com os Santos", o deslocamento da virgem do centro da pintura e o posicionamento de São Francisco e S. Pedro como participantes da cena, sem estarem simetricamente um de cada lado, dão mostras de seu gênio original. Ticiano é ainda tido como um grande retratista. Sua pintura conhecida como "Jovem Inglês", possui olhar profundo e intensa expressão. O pintores Jacopo Robustini (1518 - 1594), (um dos líderes maneiristas venecianos), Paolo Caliare (1528 - 1588) e o arquiteto Andrea Palladio (1508 - 1580), (que escreveu um tratado sobre arquitetura, Os quatro livros na Arquitetura) - são outros importantes nomes dessa escola.

O início do Renascimento Italiano

O Renascimento artístico surgiu na Itália, no século XV, em especial em Florença. A situação do país fornecia condições para sediar o movimento: vida urbana e comercial intensa, que amenizava as características do feudalismo, forte no resto da Europa (a Itália, ainda no século IX, auge do feudalismo, mantinha comércio com o Oriente) e emancipação pioneira da burguesia e dos artesãos livres das cidades. No caso de Florença, em especial, temos ainda as famílias de banqueiros como os Médici e os Strozzi, que acabam por patrocinar as artes. Essa nova arte, criada nesse cenário, foi inspirada por Boccaccio, Petrarca e os filósofos humanistas do século XIV e XV, bem como pelos ideais clássicos. É importante notar que o termo Renascimento foi utilizado pelos próprios artistas renascentistas para contraporem os trabalhos da época aos da Idade Média, que designavam como "Idade das Trevas". Não é um termo correto pois, além de pressupor a ausência de manifestações artísticas desde a Antiguidade, sugere que tenha havido um retorno estrito à cultura greco-romana. Apesar dos artistas do período terem efetivamente se inspirado na cultura clássica, suas obras estão impregnadas com os valores da época em que viviam. Esses valores imprimiam aos seus trabalhos características próprias. Brunelleschi (1377- 1446), Masaccio (1401-28) e Donatello (1386 -1466) são considerados os artistas mais representativos do início da renascença italiana, tendo construído as bases do movimento e inspirado seus sucessores. Na arquitetura, Filippo Brunelleschi pode ser considerado o principal mestre dos artistas italianos do quatrocento. Procurou criar um processo de construção novo, utilizando-se das formas da arquitetura clássica na criação de harmonia e beleza. Um exemplo disso é a Catedral de Florença, em que cobriu o imenso espaço entre os pilares para assentar um zimbório com a medida clássica, inspirada na arquitetura romana. Além de ser considerado um dos pais da arquitetura da renascença, a ele é atribuída a descoberta de um novo esquema de perspectiva, largamente utilizada por outro grande nome do período: o pintor Masaccio, em trabalhos como "O Imposto". (Alguns autores defendem que essa invenção foi conjunta de Brunelleschi, Masaccio e Donatello). Masaccio, apesar da vida curta e das poucas obras deixadas, provocou uma verdadeira revolução na pintura. "A Trindade", afrescos da Igreja Dominicana de Santa Maria Novella, é uma boa amostra de sua arte. A perspectiva nesse trabalho foi utilizada para conferir dramaticidade a cena representada. Na escultura do período temos o mestre florentino Donatello. Como exemplo de seu trabalho, a escultura de São Jorge realizada para a igreja florentina de Or San Michele. Seus pés estão fincados ao chão, seu rosto mostra concentração e energia. Os contornos são precisos, baseados em observação do corpo humano.

Alto Renascimento na Itália

Esse curto período (1500 - 1520) concentra trabalhos brilhantes de artistas que são admirados como verdadeiros ícones da civilização ocidental. Alguns autores de história da arte tradicional (como Giorgio Vasari) chegam mesmo a afirmar que trata-se do período ápice da história da arte - afirmação bastante controversa, uma vez que os parâmetros para tal tipo de avaliação são bastante subjetivos e envolvem uma série de julgamento de valores. De qualquer forma, tamanho foram as realizações desse período, que muitos artistas e críticos que o sucederam ficavam com a impressão que não restava mais nada a ser feito, ou nada que pudesse suplantá-los. Não resta dúvida que a arte produzida na Alta Renascença pode ser considerada como elevadíssima, de uma qualidade impressionante. Teve profunda influência sobre as gerações de artistas que o sucederam e sobre os próprios parâmetros artísticos. Vários mestres conviveram nesse período desenvolvendo ótimos trabalhos, mas as figuras absolutamente geniais de Leonardo da Vinci (1452- 1519), Michelângelo (1475 - 1564) e Rafael Sanzio (1483 - 1520) ofuscam outros artistas que não fosse a comparação com esses mestres, poderiam ser considerados também gênios. Nesse período Roma torna-se o centro da cultura da renascença, ultrapassando Florença e a igreja romana, a grande patrocinadora das artes. Leonardo da Vinci, tendo pesquisado diversas áreas do conhecimento humano, personifica o ideal humanista. Atuou, em diversas fases de sua vida, como arquiteto, engenheiro, urbanista, escultor, mecânico, fisiólogo, químico, biólogo, botânico, cartógrafo, físico. Antecipou ainda a aviação, a hidráulica, o escafandro, a balística e o pára-quedas. Um dos aspectos mais intrigantes de sua personalidade é o fato de ter se dedicado a um montante incrível de projetos que raramente chegavam a um fim satisfatório. Entretanto é conhecido também por obras famosíssimas e admiradas em todo mundo, como "A Última Ceia" e "Monalisa" e por seu talento na pintura e desenho em geral. "A Última Ceia", chegou até nós em péssimo estado de conservação, mas ainda era perceptível a excelente composição e a expressividade das figuras. Os doze apóstolos, divididos em grupos de três, são interligados por gestos e movimentos. A extrema realidade com que o ato sacro é representado, aliada à utilização da luz, do volume, à perspectiva da sala, bem como à solidez das figuras, põe essa obra entre as maiores da alta renascença. "Monalisa", a esposa florentina do banqueiro Giacondo, com sua extrema vivacidade e sorriso enigmático, é considerada mesmo um dos grandes ícones da arte ocidental. A escultura renascentista tem seu auge em Michelangelo Buonarroti, cujos trabalhos como "Davi" e "Moisés", de dimensões gigantescas, provam sua maestria em desenhar o corpo humano em qualquer posição e o perfeito domínio que o artista possuía de seus movimentos. Davi, na frente do Palazzo della Signoria, pode ser um exemplo de sua enorme habilidade em esculpir, ainda que em um imenso bloco de mármore, extremamente difícil pelo tamanho e peso (Michelângelo era conhecido pelo gosto por desafios). Ele é representado como adolescente, evidenciado pelas proporções das mãos, cabeças e pés. Os afrescos do teto da Capela Sistina, que tomaram quatro anos de trabalho sistemático (1508 a 1512) do escultor são outra amostra de monumental beleza de seu trabalho. Repleto de imagens, como a anunciação da vinda de Cristo, a história da criação e de Noé, madonnas e cenas como "Tentação de Adão e Eva" e "Criação de Adão" - talvez as mais famosas. São características desse trabalho o jogo de sombras, as alternações entre o claro e escuro e a suavidade do esquema de cores. As figuras são heróicas, revelando um ideal de mundo em perfeito equilíbrio e solidez. Impressionam pela simplicidade e força. "Pietá", a virgem segurando o menino, outra famosa obra de Michelângelo e grande tema da religiosidade humanista, demonstra ainda seu domínio da pintura de afrescos e do desenho. Rafael Sanzio ou Santi (1483 - 1520), influenciado por Michelangelo e Leonardo da Vinci, pode ser considerado o expoente máximo da pintura renascentista. Famoso pelas madonnas, sua obra "Madonna del Granduca", em que a virgem segura o menino em perfeito equilíbrio, perpetuou-se como modelo de perfeição para várias gerações. A beleza pura de suas figuras, como a ninfa Galatéia no Mural da Villa Farnesina, em Roma, não inspiradas, segundo o próprio pintor, em nenhum modelo humano, mas sim num ideal de perfeição, deslumbra o observador pela simplicidade e força.

Primeiras manifestações de Arte Quinhentista em outros países europeus

Durante quase todo o século XV, a Renascença foi um fenômeno tipicamente italiano, não encontrando respaldos em outras partes da Europa. A diferença nas tradições em que vinham caminhando esses países pode ser uma das chaves para se compreender essa questão. Na Itália, por exemplo, a penetração do estilo gótico não foi tão forte quanto no resto da Europa. Os países do norte do continente absorveram muito desse estilo, que encontrou terreno fértil para se desenvolver naquelas culturas. Havia, portanto, uma certa resistência em abandonar as tradições antigas em nome da "novidade" italiana. A França, a Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda e Portugal - com sua arte tipicamente nacional, o manuelismo - permaneceram fiéis aos seus próprios estilos até o cinquecento. Acredita-se que as viagens de artistas europeus para os centros da cultura renascentista na Itália, no século XVI, foi o fator que possibilitou o contato com esse estilo de arte e a sua penetração posterior nos países de origens desses viajantes. A arquitetura provavelmente foi um dos maiores focos de resistência, fora da Itália, ao estilo renascentista. Normalmente a introdução desse novo tipo de construção ocorreu por insistência de príncipes e nobres que, após visitarem a Itália, queriam estar atualizados. Os resultados são algumas construções fundamentalmente góticas, mas com alguns traços renascentistas, concessão muito superficial ao novo estilo. O pintor e artista gráfico alemão Albert Dürer é considerado o principal nome do renascimento fora da Itália e também um dos grandes responsáveis por espalhar essa escola na Europa. Acreditava ser sua "missão" transportar os ideais renascentistas à alma alemã, assimilado através de viagens à Itália, para aprender com os grandes mestres. A maneira como o artista, sem a mesma tradição italiana, experimenta incansavelmente as regras de proporção humana, no objetivo de atingir o equilíbrio proposto pelos renascentistas, é admirável. A gravura de Adão e Eva é uma das que mais se utilizam de suas descobertas nesse campo, sem contudo perder sua própria tradição artística: há o nítido destaque de seus contornos, contra o fundo escuro de uma floresta. Assinala a adaptação dos ideais do sul a sua própria cultura. Suas xilogravuras, bastante famosas, como a série "Apocalipse", ilustrando o Apocalipse de São João, em que descreve as visões aterradoras do evangelista, são tão vigorosas que influenciam na própria aceitação da expressão artística através de xilogravuras. "Os quatro cavalheiros do Apocalipse", com temática e características da arte gótica (cavalheiros sinistros, o inferno, o céu turbulento) misturam-se aos seus estudos renascentistas, (principalmente aos estudos de arte de Mantegna) e seu talento para transformar imagens verbais em artes plásticas. Interessante é contrapor Dürer, ao outro principal artista alemão do período: Grünewald, de quem temos poucos conhecimentos sobre sua vida. A temática de seus trabalhos é fundamentalmente mística. Apresenta um trabalho original, com composição e uso de cores tão próprios que dificultam identificá-lo a uma escola. Utiliza algumas técnicas renascentistas em sua composição, mas não segue outros de seus preceitos: utiliza-as somente quando elas se ajustam a seus próprios conceitos artísticos. O painel central do "Altar de Isenheim" em que ele despreza conceitos como equilíbrio de proporções e beleza em nome da "significação espiritual" do mesmo, (apesar de conhecer esses conceitos) nos dá uma noção de sua assimilação seletiva aos ideais italianos. Dürer e Grünewald exemplificam bem as diferentes maneiras como foi absorvida a renascença fora da Itália.

Renascença na Espanha

A Espanha no século XVI era uma grande potência européia, anexando a si territórios da Europa e América e extremamente rica pelos tesouros trazidos do novo mundo. Foi um dos berços da Contra Reforma que instituiu o Concílio de Trento, a Inquisição e a forte ordem religiosa dos jesuítas. A Renascença na Espanha, profundamente enraizada em seus próprios estilos artísticos, que adaptava elementos góticos à sua própria cultura, entrou através da intervenção de Charles V e Philip II, no século XVI. Sua principal influência foi a escola renascentista de Veneza. Charles V, que patronava o pintor renascentista Ticiano, da escola de Veneza, demonstrava admiração pelos preceitos artísticos italianos. Contratou, para a construção de seu palácio em Granada, o arquiteto e pintor Pedro Machucha. Determinou que a obra fosse realizada utilizando-se dos padrões renascentistas de arquitetura. Entretanto, a construção não foi finalizada. Já Philip II teve mais sucesso no comprimento de sua ordem de execução do Palácio Escorial, perto de Madrid, entre 1563 e 1584. Além de Palácio para a monarquia e residência, a enorme construção deveria incluir igreja e monastério. A influência clássica no austero complexo tem suas raízes no estilo dórico. A coleção do Museu do Prado, em Madrid, teve sua origem na coleção que foi guardada nesse palácio por Philip II. Na pintura, temos a figura de El Greco (1541- 1614), como principal expoente da arte renascentista (será desenvolvido posteriormente em verbete à parte). De origem grega, bastante influenciado pela escola de Veneza (em particular Ticiano e Tintoretto), viveu um período de sua vida na Itália, antes de mudar-se para a Espanha. Apresenta características como o descaso às formas e cores naturais; dramaticidade e emoção de suas cenas. É considerado um pintor maneirista que reflete em sua temática, a crise que se instaura durante a Contra-Reforma promovida pela Igreja Católica. "O Enterro do Conde Orgaz", na Igreja de São Tomé é considerado uma de suas principais peças e um bom exemplo de sua habilidade em lidar com temas místicos. A arte de pintar retratos também encontra bastante desenvolvimento nessa época, sendo seus maiores expoentes Antonio Moro, Sánchez Coello e Pantoja. As principais características dessas representações são a nobreza das atitudes e a fidelidade das expressões. A renascença espanhola atinge ainda um alto grau de desenvolvimento na literatura, através, principalmente de Miguel de Cervantes (1547 - 1616) e seu clássico Don Quixote de La Mancha.

Renascença na França

A França possuía uma forte tradição de arte medieval, oferecendo bastante resistência à assimilação da renascença Italiana. Luís XII (1462 - 1547) e principalmente Francis I (que governou o país de 1515 a 1547), fizeram grandes campanhas na tentativa de trazer a nova arte ao país. Francis I chega mesmo a fazer propostas de trabalho a artistas como Leonardo da Vinci (no caso, aceita). Porém, foi com o estilo maneirista que os artistas franceses melhor adaptaram-se e o que teve mais repercussão no país. O estilo observado no Palácio de Fontaineblau, logrando atender as ambições de Francis I, acabou influenciando vários artistas franceses, sendo conhecido como escola de Fontainebleau os artistas associados a seu estilo. Maneiristas italianos como Rosso e Primaticcio, responsáveis pelo reboque e pinturas decorativas da galeria com cenas mitológicas, são alguns dos nomes responsáveis pelo projeto, adaptando seus estilos próprios ao gosto francês. Resulta daí um maneirismo que incluí sensualidade, propensão para o decorativo e elegância. O arquiteto Pierre Lescot (1510 - 1578) que, a pedido de Francis I, iniciou um projeto para reconstrução do Museu do Louvre, é um dos principais nomes do movimento. O estilo clássico que ele imprimiu ao museu permaneceu às várias transformações sofridas pelo mesmo desde então. Na escultura temos, como um dos maiores artistas do renascimento francês, Germain Pilon (1535 - 1590). Apresenta profundas diferenças entre seus trabalhos no decorrer da carreira. Da influência do maneirismo de Fontainebleu das primeiras obras, suas esculturas vão progressivamente ganhando realismo, como Henry II. Outro nome importante do período é o escultor Jean Goujon (1510 - 1565), cujo estilo alongado, (sem ser desproporcional) também marcou presença na reconstrução do Louvre. A escultura é bastante presente nas construções renascentistas do norte europeu. Seus mestres foram os italianos Primaticcio e Cellini. As esculturas em relevo de Goujon, representando ninfas graciosas e elegantes na "Fonte dos Inocentes em Paris", são boas amostras de seu estilo.

Renascença nos Países Baixos

Juntamente com a Itália, os países baixos foram um importante pólo do capitalismo comercial, possuindo ainda uma vida urbana desenvolvida e um mercado que poderia consumir obras de arte. Em alguns trabalhos de Jan van Heyck, pintor famoso do século XV, a quem é atribuída a introdução da técnica de pintura à óleo, pode serem vistos alguns traços renascentistas. Entretanto, a força da tradição gótica no local dificultou bastante sua assimilação da Renascença Italiana. Costuma-se dizer que isso só foi possível no país graças à figura do alemão Dürer, que passou um período de sua vida na Antuérpia, cidade que se tornou o centro cultural da Holanda. O Pintor Quentin Massys (1465 - 1530), um dos que tiveram influência direta de Dürer, era considerado como um dos principais artistas da Antuérpia da época. Seu painel central feito para a Irmandade de Santa Ana, mostra os familiares de Maria e José. Dos modelos renascentistas italianos, absorve o ajuste simétrico das figuras; da escola de Veneza, as cores e perspectiva (é cogitada a hipótese do próprio artista ter visitado Veneza, devido a aproximação de suas obras com essa escola). Já na pintura "Lamentação", do Museu Real de Belas-Artes, na Antuérpia, pode ser notada a influência dos trabalhos de Leonardo da Vinci e Rafael, estreitando seus laços com a Renascença. As paisagens naturais ganham bastante importância nas obras dos pintores norte-europeus da época. Joachim Patinir, que imprimia importância extraordinária às paisagens em sua pintura, ficou famoso por suas vistas de campos, vilas e montanhas, tendo à frente figuras em tamanho reduzido. Seu São Jerônimo em paisagem aberta, que enfatiza mais o cenário que a vida do santo, ganhou várias versões do artista. Nelas podemos observar características da arte norte-européia como a abundância de detalhes, bem como a utilização de uma perspectiva diferente da adotada na Escola de Veneza. Mabuse, ou Jan Gossaert (1478 - 1535), visitou a Itália e procurou assimilar os preceitos renascentistas em suas obras. É claramente influenciado por Dürer e os artistas holandeses que o precederam. Especialmente conhecido pelos nus que realizava, à semelhança dos italianos, "Netuno e Anfitrite", pode ser uma boa amostra de sua habilidade. É composto de figuras mitológicas nuas em um cenário arquitetônico renascentista. Entretanto, alguns de seus críticos defendem que o pintor, ávido por mostrar conhecimento e domínio da arte italiana, por vezes apropria-se dessas técnicas, sem contudo obter resultados satisfatórios. Um exemplo disso pode ser o quadro de São Lucas pintado a Virgem. É influenciado pelo pintor holandês Jan van Eyck e pelas técnicas italianas, como a perspectiva científica e o jogo de luz e sombra. As figuras aqui também estão assentadas num cenário de arquitetura italiana. Entretanto, apesar dos valores de encanto que o quadro possui, parece não ter atingido a harmonia nem de seus inspiradores em sua própria cultura nem dos italianos. Pieter Bruegel (1525 - 1569), é considerado o maior pintor flamenco do século XVI. É conhecido pela complexidade temática, apesar de boa parte deles referirem-se ao cotidiano dos camponeses. Seu talento é continuamente comparado ao setecentista Rembrandt, principalmente no que se refere à capacidade de enxergar a natureza humana. "Caçadores na Neve" é um bom exemplo de seu trabalho.